segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pra ter um pouco de esperança, use as reticências...

Um dia. Menos que isso. Algumas horas foram o suficiente para fazer desmoronar tudo que ela havia construído.
Não digo que antes existisse algo realmente sólido. Mas, pelo menos, até ali ela tinha a quem recorrer quando necessário.
Saiu cedo, como se não quisesse ser vista por ninguém. E, de fato, não queria.
Pegou o primeiro ônibus e nem se deixou parar pra pensar se o que ela estava prestes a fazer era certo. Talvez porque sabia que nada lúcido justificaria aquilo.
E foi, mesmo tendo analisado minuciosamente cada consequência. Sem deixar espaço pra arrependimento, sem pensar em nada.
E no momento em que  seu mundo todo desmoronava, quando todas as vozes dentro dela diziam que nada daquilo valeria a pena, ela percebeu que tudo que precisava estava ali, olhando em seus olhos, e enxugando suas malditas lagrimas de culpa.
Cúmplices. É exatamente o que eram. O que são. E ela sabe que ele sempre esteve ali. Desde que o primeiro eu te amo foi dito. E vai continuar ali, ainda que em estado latente, pra sempre.
Mas apesar de ser tudo o que ela queria, era também quem fazia seu mundo desmoronar. E isso fez toda a diferença.
De repente, por um descuido, um deslize, ela parou pra pensar. E percebeu que talvez tudo aquilo não valesse a pena. Talvez não passasse de algo inacabado que ainda incomoda. E recuou. Pegou suas coisas, o pouco que sobrou de seu bom caráter e foi embora . Desistiu ali do que todos julgam ser o mais importante. Todos, menos ela.
Novamente, ela se viu sozinha. Construindo seu mundo de areia e se convencendo de que não passava de mais um erro, depois de tantos. No final de tudo, ela resolveu colocar um ponto na historia. Não final, mas reticências. Como sempre. Como ele disse que seria...
A omissão de algo que podia ser escrito, mas que não o é.

                                                                                                                        Flavia Silva.

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